domingo, 24 de fevereiro de 2019

Cômico ou trágico?

Fala-se tanto em desequilíbrio nas contas públicas. Fala-se que se os governos municipais, estaduais e federal não equilibrarem suas contas a inflação e os juros aumentarão e não teremos crescimento econômico. Com efeito, toda a população brasileira irá sofre as consequências.

Nossos agentes políticos afirmam que a única alternativa viável é a aprovação da reforma da Previdência que irá exigir do trabalhador assalariado comum trabalhar mais tempo de sua vida para se aposentar com uma renda média bem inferior à que recebe na vida ativa.

Não podemos aceitar passivamente tudo que nos é indicado ou imposto pelos nossos agentes políticos. Até porque sabemos que boa parte deles não possui capacidade técnica para efetuar análises mais profundas de questões específicas. Até aí tudo bem, porque ninguém é obrigado a entender de tudo. Porém eles deveriam ter assessoria técnica capaz para isto. Só que boa parte dos cargos de assessoramento que ficam à disposição deles na forma de cargos comissionados é ocupada por pessoas escolhidas através de critérios de afinidade e confiança dentre aqueles que os apoiaram ou auxiliaram nas campanhas eleitorais.

É de uma clareza solar de que isto não se reverte em benefício para a sociedade. Somente em despesas. Todos sabem que os entes federativos não possuem recursos livres suficientes para efetuar investimentos e nem disponibilidades para financiar as ações de que tanto a sociedade necessita. Mas porque será que nossos agentes políticos não gastam uma pequena fração de seu tempo e de seus apaniguados para buscar alternativas efetivas para um problema tão grave quanto o déficit fiscal?

Até parece que não querem ou não podem mexer em nada que tenha relação com suas mordomias e vantagens. Quando tem que se fazer alguma mudança tem que ser em algo que prejudique o povo. Seria cômico se não fosse trágico.

O déficit primário do governo central foi, em 2018, de mais de R$ 120 bilhões. Por conta disto querem, mais uma vez, cobrar a conta da população. Por que será que não buscam soluções alternativas antes de pensar em mexer no bolso dos trabalhadores e dos empresários que produzem e mantém o país funcionando?

Que tal reduzir os repasses para os legislativos municipais, estaduais e federais? No ano de 2017 foram empenhadas mais de R$ 14 bilhões em despesas realizadas pelas câmaras de vereadores do país. Já nos legislativos estaduais o valor dos empenhos chegou a R$ 15 bilhões, no mesmo ano.

Adentrando nas despesas dos executivos temos que os estados empenharam, no ano de 2017, cerca de R$ 1,5 bilhão em diárias e mais de R$ 2 bilhões com passagens e despesas com locomoção. Já nos municípios os valores empenhados foram de cerca de R$ 895 milhões e R$ 1 bilhão, respectivamente.

Já temos aí um valor de gastos próximo a R$ 35 bilhões somente com despesas que podem ser racionalizadas. Tudo isto sem considerar as despesas dos legislativos federais, da União, do poder Judiciário, Ministério Público e Tribunais de Contas.

E se estiverem com vontade de reduzir o déficit de forma mais efetiva e eficiente também podem melhorar o controle dos gastos públicos visando melhorar a sua qualidade. Assim é possível que os recursos públicos consigam comprar mais produtos e serviços com o mesmo valor ou até com menos.

Todos os brasileiros assalariados e todos os empresários praticam estas ações quando suas respectivas rendas não são suficientes para pagar as despesas planejadas. Por que será que nossos agentes políticos não tentam formas alternativas para cobrir o rombo que eles mesmos criaram nas contas públicas antes de quererem onerar, ainda mais, o povo brasileiro?

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