domingo, 6 de novembro de 2016

Fecunditas Quae Sera Tamen

Acredito que seja unânime a opinião de que a economia brasileira precisa retomar o crescimento. Porém esta retomada não pode ser tímida. Nosso país tem que crescer a taxas mais robustas para recuperar os danos causados pela política econômica míope e desastrosa que foi imposta a todos os brasileiros nos últimos treze anos.

Neste período a taxa média real de crescimento da economia foi de 2,9% ao ano e a renda per capita real cresceu 1,8% ao ano, no mesmo período. Nos últimos seis anos o crescimento real foi de 2,0% e 1,1%, respectivamente. Desempenho medíocre para uma das maiores economias do mundo.

A média de crescimento necessário para melhorar a qualidade de vida da população deve ser superior a 4,0% ao ano, porém muitos desafios surgem para que a sociedade brasileira possa dar conta e garantir o desempenho desejado. Primeiramente os governos federal, estaduais e municipais devem equilibrar suas finanças, pois somente assim os juros reais poderão começar a reduzir. Com isto o investimento privado no setor produtivo ressurgirá e fomentará o crescimento.

Paralelo a isto temos que melhorar a produtividade brasileira. Segundo estudos recentes da Conference Board o trabalhador brasileiro produz o equivalente a 25% de um trabalhador americano. Em outras palavras um trabalhador americano produz o equivalente a quatro trabalhadores brasileiros. Se a comparação for feita com o trabalhador chinês temos que este produz o equivalente a sete trabalhadores brasileiros. A Conference Board é uma associação global que desenvolve estudos de desempenho de interesse público. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou estudo no mesmo sentido, onde indica que a produtividade brasileira é muito baixa.

É claro que temos que considerar as diferenças estruturais e sociais tais como a tecnologia disponível em cada país, a infraestrutura, o nível de qualificação e escolaridade, a renda real média, etc.

Polêmicas à parte é explícita a necessidade que nossa economia possui de aumentar a produtividade e isto é uma questão estrutural e que não se resolve no curto prazo. Soluções passam pela melhoria do sistema educacional e aumento gradativo do nível de renda real do trabalhador, pois não é possível ser produtivo sem ter qualidade de vida, sem ter motivação.

No escopo da abordagem do aumento da produtividade não podemos deixar de inserir a necessidade de aumento da produtividade no setor público, até porque a Constituição Federal, em seu artigo 37 estabelece que o setor público deva ser eficiente. Pode parecer estranho ou mesmo uma blasfêmia para alguns querer se aplicar a produtividade ao setor público. Não se trata de uma apologia à lógica produtivista, mas de uma necessidade proeminente da sociedade brasileira.

Com a crise fiscal que o setor público está passando e com perspectivas de redução da receita não é possível defender que somente a aplicação de mais recursos públicos possa garantir o crescimento da economia e a melhoria da qualidade de vida da população.

Tanto o setor privado quanto o setor público brasileiro devem buscar alternativas para aumentar a produtividade, caso contrário não será possível garantir um crescimento econômico sustentável. Quanto mais tempo demorar em agir neste sentido, maior será o dano à sociedade.


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